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QUINTA-FEIRA, 15 DE AGOSTO

 

9:00

Coffee Break

 

PALESTRANTES

9:30 – 11:30

SALA LUPE COTRIM

Profa. Dra. Mariarosaria Fabris (USP)

Palestra: De corpo presente

Profa. Dra. Marina Tedesco (UFF)

Palestra: Margot Benacerraf: não-precursora do Nuevo Cine Latinoamericano

Profa. Eliany Salvatierra (UFF)

Palestra: Cinema Boliviano

Mediadora: Andrea Cuarterolo

 

11:30 – 13:00

SALA LUPE COTRIM

 

Profa. Dra. Ana López (TULANE/EUA)

Palestra:

Prof. Dr. Mauricio Bragança (UFF)

Palestra: La Bamba: trajetórias, reconhecimento e representação no movimento chicano

Profa. Dra. Danna Levin Rojo (UAM)

Palestra: Cruzar la frontera: un subgénero del cine mexicano sobre migrantes

Mediadora: Ana Laura Lusnich

 

 

 

HISTÓRIA, CINEMA E MEMÓRIA

15/08/2019

14:00 às 16:00

SALA 227 – CTR/ECA

“Projetos, Escolas e Acervos :o  Documentarismo na América Latina”

 

Isabel Bairão Sanchez, USP – LINA BO BARDI E A CARAVANA FARKAS: TANGÊNCIAS TEMÁTICAS E DIDÁTICAS

RESUMO: Esse trabalho tem como propósito identificar diálogos intelectuais entre os escritos produzidos pela arquiteta Lina Bo Bardi e dois conjuntos de filmes hoje conhecidos como Caravana Farkas. O contato de Lina Bo Bardi com os cineastas Thomaz Farkas, Geraldo Sarno e Paulo Gil Soares no contexto de fundação do Museu de Arte de São Paulo e do Museu de Arte Moderna da Bahia entre os anos de 1947 e 1971 será analisado a fim de estabelecer correspondências entre os filmes que compõem o longa Brasil Verdade (1965) e a série A Condição Brasileira (1971) e os textos da arquiteta redigidos até 1971, com enfoque em suas escolhas temáticas e objetivos didáticos. A produção intelectual de Lina Bo Bardi e dos cineastas será abordada a partir das redes sociais formadas em torno dos dois museus e o relato historiográfico será balizado pelo contexto mais amplo da discussão teórica da modernidade no Brasil e por significados e caminhos pensados pelos artistas em questão para a industrialização nacional.

Aline Fernandes Carrijo USP- ATRASO E AUTENTICIDADE: O SERTÃO NOS DOCUMENTÁRIOS "QUILOMBO" E "MUTIRÃO" DE VLADIMIR CARVALHO

RESUMO: "Quilombo" e "Mutirão" são dois documentários realizados pelo cineasta Vladimir Carvalho que mostram facetas diferenciadas do impacto que a chamada "Marcha para o Oeste", incluindo a construção de Brasília, na década de 1950, teve para as populações que já moravam na localidade. Duas concepções sobre o sertão - atraso e autenticidade - permeavam o imaginário da época, ao mesmo tempo em que sustentavam diferentes atuações políticas a depender dos interesses e também de representações prévias, dispensando, por exemplo, tratamentos diferenciados a ex-escravizados e sertanejos.

Letícia Gomes de Assis UFSCar –ESCOLAS DE CINEMA NO BRASIL E NA ARGENTINA: RELAÇÕES ENTRE O INSTITUTO CINEMATOGRÁFICO DE SANTA FÉ E O CURSO DE CINEMA NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA.

RESUMO: A intenção deste trabalho é a de comparar os processos de institucionalização de duas experiências de cursos de cinema, uma no Brasil e outra na Argentina. Para tanto tomo como objeto de estudos o curso da Universidade de Brasília (UnB) no Brasil e o oferecido pelo Instituto de Cinematografia de Santa Fé, vinculado à Universidad Nacional del Litoral (UNL) na Argentina. As discussões estão localizadas no período de formação dos cursos, entre 1956 até 1965. O objetivo é de compreender de que modo a estruturação dos cursos pode dialogar em questões conceituais, metodológicas e históricas.

Victor Santos Vigneron de la Jousselandière – USP -  DESNECESSIDADE DA AMÉRICA LATINA?

RESUMO: Este trabalho tem como propósito apresentar um itinerário de pesquisa no Arquivo Paulo Emílio Salles Gomes, da Cinemateca Brasileira. Trata-se de aferir em que medida a documentação relativa à América Latina constitui um campo particular de interesse de Salles Gomes. Afinal, ainda que sua trajetória tenha sido marcada por um progressivo afastamento em relação aos parâmetros constituídos pelo cinema e pela crítica da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, pouco se sabe a respeito do papel desempenhado por outros recortes filmográficos (América Latina, países socialistas, África) em suas reflexões. Embora aquela grade de leitura seja sugerida pelo próprio crítico em muitas de suas intervenções públicas feitas nos anos 1970, a pesquisa com sua documentação privada permite identificar caminhos complementares ou divergentes em relação a essa abordagem. Com isso, trata-se de identificar o conjunto de documentos que fazem referência à América Latina, procurando estabelecer as modulações que esse tema sofre ali entre os anos 1930 e 1970.

 

CINEMA, ARTE E GÊNERO

15/08/2019

14:00 às 16:00

 

Sala Paulo Emílio – ECA

Sancler Ebert, UFF – “QUE PENA, O DARWIN SER HOMEM!”: UM TRANSFORMISTA DE SUCESSO NOS PALCOS E TELAS DO INÍCIO DO SÉCULO XX

RESUMO: A partir da trajetória do transformista Darwin, conhecido como imitador do belo sexo, buscamos refletir sobre a relação da travestilidade nos palcos e telas e a sociedade carioca do início do século XX. No mesmo período em que Darwin fazia sucesso nos palcos dos cineteatros cariocas (1914-1932) e em decorrência disso participava do filme “Augusto Annibal quer casar” (1923) de Luiz de Barros, travestir-se em público constituía uma violação do Código Penal, podendo levar a detenção.

Ana Paula Alves Ribeiro e Antônia D’Aquino, UERJ – PARA FALAR DE LUISA E AYANA: JUVENTUDE, TRÂNSITOS E PARTICIPAÇÃO FEMININA EM TERRITÓRIOS URBANOS

RESUMO: Pretendemos analisar neste trabalho, parte da obra realizada pela Duas Mariola, produtora de cinema localizada no Rio de Janeiro. O foco desta pesquisa principalmente se refere a parceria Marina Meliande/Felipe Bragança e sua trilogia Luisa no Coração do Fogo (especificamente o filme 'A Alegria', de 2010) e a websérie transmídia Claun, de 2014, apresentada em 3 episódios. Escolhemos estas produções para dialogar com suas personagens principais, Luisa (A Alegria) e Ayana (Claun), heroínas que, transitando entre o Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense, entre questões pessoais e familiares, empoderadas e conhecedoras do universo da cultura popular, trazem nos filmes questões como corporalidade, juventude, feminismo, trânsitos e presenças femininas nos espaços urbanos, entre outras questões relacionadas as questões de gênero. É sobre ser mulher, jovem e estar com o corpo em trânsito nas cidades, o foco deste trabalho.

 

Carolina de Oliveira Silva, MACKENZIE – A  MULHER CIENTISTA E A MULHER ALIENÍGENA: A REPRESENTAÇÃO FEMININA EM UMA FICÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA

RESUMO: Partindo do filme Os Cosmonautas (1962) de Victor Lima, uma ficção científica nacional que conta a história de uma missão espacial brasileira bastante confusa, a análise proposta pretende destacar duas personagens femininas relevantes – a cientista Alice (Telma Elita) e a alienígena Krina Iris (Neide Aparecida). Ao abordar o filme de um ponto de vista das problemáticas de gênero por ele suscitadas, a hipótese é de que a referida produção, ao explorar de forma cômica a construção de suas personagens, prevê outras possibilidades de existência aos estudos feministas no cinema brasileiro em meio a um gênero cinematográfico tão híbrido e, quiçá para alguns, inexistente. Assim, apontamos o deboche e o tratamento cômico como um meio de análise totalmente válido, levando em consideração algumas prerrogativas que privilegiam o tratamento do corpo como uma, dentre as inúmeras formas de autonomia para as personagens femininas.

 

ARTE E CINEMA EXPERIMENTAL NA AMÉRICA LATINA

15/08/2019

14:00 – 16:00

 

SALA: AUDITÓRIO A – CTR/ECA

 

Theo Costa Duarte, UNICAMP – GLAUBER ROCHA E O CINEMA UNDERGROUND

RESUMO: Pretende-se discutir os pontos de contato, alianças temporárias, divergências, diálogos e convergências estéticas de Glauber Rocha com o cinema underground estadunidense, levando em consideração os efetivos encontros e embates do realizador brasileiro com os norte-americanos em mostras, festivais e artigos críticos nos anos 1960 e 1970, assim como as ressonâncias posteriores desses encontros em sua obra.

Geraldo Blay Roizman, USP – EDGAR NAVARRO E O CORPO DO ESCRACHO

RESUMO: Se fossemos localizar O Rei do Cagaço, 1977, dentro do universo cinematográfico de Edgard Navarro, ele faria parte, de forma mais geral, do chamado surto superoitista no Brasil, e do grande ciclo de filmes realizados em Super-8 na década de 70 que participaram de festivais da época, especificamente das chamadas Jornadas de Cinema da Bahia, e que possuíam, em geral, um forte teor provocativo ao mesmo tempo poético e político, e principalmente um sentido muito preciso de despojamento na flexibilização da linguagem possibilitada pela novidade da bitola. Estes filmes provocadores, estimulados pelo contexto das Jornadas, fizeram parte, como o próprio diretor nomeia, da chamada “tríade freudiana”, junto com Alice no país das mil novilhas, de 1976 e Exposed, de 1978. Essa qualidade provocativa se tornaria mais do que uma peculiaridade, um verdadeiro estilo em Navarro, a partir de um agudo sentido estético de experimentação.

 

Rafael F. A. Bezzon UNESP – A VANGUARDA CAIPIRA DO CINEMA EXPERIMENTAL

RESUMO: Etnografar arquivos, ou seja, se relacionar com o espaço, seus objetos e as pessoas que a eles se vinculam, é um constante movimento de preencher e encontrar novas lacunas e assim lidar com o desconhecido e redescobrir o conhecido. Foi durante esse processo, uma pesquisa sobre a trajetória biográfica de Tony Miyasaka, fotógrafo ribeirão-pretano (cidade localizada no interior do Estado de São Paulo), que me deparei com a existência de um “Centro Experimental de Cinema” atuante durante a primeira metade dos anos 1960. Dessa forma, o que se pretende aqui é realizar uma reflexão a respeito da biografia desse centro de cinema, de seus primórdios e produção, através das pessoas – os realizadores, diretores, fotógrafos e sonoplastas – responsáveis por suas produções. Contribuindo para a construção e o resgate da história e da memória sobre o cinema nacional, sobretudo acerca de seus movimentos experimentais, e em especial sobre o que intitulei de “vanguarda caipira”.  

 

Pedro Guimarães e Sandro de Oliveira, UNICAMP – O BINÔMIO CHAPLIN-ARTAUD NO SISTEMA DE JOGO DE HELENA IGNEZ

RESUMO: Pretende-se investigar como o trabalho artístico e reflexivo de Charles Chaplin e de Antonin Artaud reverberam nas práticas cinematográficas de Helena Ignez como atriz no período da Belair. Entre a representação da dor e da peste e na maneira de quebrar com a teleologia do personagem fílmico, Ignez revive ensinamentos dos dois artistas-pensadores, inserindo-se na linhagem do ator moderno mundial, mas singularizando sua participação como integrante do movimento que deu novos rumos ao trabalho do ator no cinema brasileiro.

 

 CINEMA NEGRO LATINO-AMERICANO

CINEMA, ARTE, LÍNGUA E LITERATURA

ABERTURA RADICAL E ENGAJAMENTO DO PÚBLICO NOS PROCESSOS DECISÓRIOS    

14:00 – 16:00

SALA: 205 Prédio Central da ECA

Cinema negro latino-americano

 

Suzana Eiras e Ana Paula Alves Ribeiro, UERJ – FORMAÇÃO EM FESTIVAIS DE CINEMA NO BRASIL: O CASO DO ENCONTRO DO CINEMA NEGRO ZÓZIMO BULBUL BRASIL, ÁFRICA E CARIBE

RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo apresentar possíveis diálogos pedagógicos que atravessam o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul Brasil, África e Caribe, reconhecida janela de exibição do cinema negro brasileiro. O Encontro de Cinema Negro, criado em 2007 pelo cineasta Zózimo Bulbul, contribui para inserção, trocas e visibilidade de cineastas, fotógrafos e integrantes da cadeia produtiva do audiovisual de forma geral e se tornou ao longo de sua existência lugar de reflexão e campo de conhecimento. Em um contexto político no qual o cinema negro ganha projeção, mas ao mesmo tempo está longe de refletir inserção em um mercado marcado por altos financiamentos, ausência de diversidade, exclusão racial e tensões entre representações, criação das narrativas e protagonismos, refletir sobre a maneira como ano a ano o Encontro e o próprio Centro afro-carioca se coloca neste debate se faz necessário. Entendemos que o Encontro, a partir da sua organização, possibilita a formação em diferentes e complementares movimentos: 1) na sociabilidade entre cineastas da afro-diáspora entre si e na interação com o público, 2) na maneira como as programações são pensadas e no próprio engajamento aos filmes exibidos e 3) nos seminários que possibilitam a um público de estudantes de ensino básico, superior e de pós-graduação se apropriar de pesquisas e referências concernentes ao tema. É a partir do terceiro tópico, a existência dos seminários, que este trabalho se estrutura. 

Lygia Pereira dos Santos Costa, USP – EVERLANE MORAES E O CINEMA-ESPELHO

RESUMO: Everlane Moraes nasceu em Cachoeira-BA e cresceu no quilombo Caixa D’água em Aracaju-SE. Sua filmografia é composta por oito curtas-metragens: Caixa Dágua: Qui-lombo é esse? (2013), Conflitos e abismos: a expressão da condição humana (2014), Allegro Ma Non troppo: la sinfonia de la belleza (2015), El Reflejo (2016), La Santa Cena (2017), Monga, retrato de café (2018), Aurora (2019) e Pattaki (2019). Tendo a maior parte sido realizados enquanto estava em Cuba, seus filmes conseguem traçar pontos de intercomunicação entre as culturas negras na América construídas na cisão de povos cuja diversidade, memória e história foram reduzidas e atravessadas pela dominação e ganância. E faz isso num cinema que transita entre o documental e a ficção, filmes com imagens fortes e quase sempre sem diálogos. Com base em entrevista cedida por ela, tentamos costurar suas concepções de vida com seu modo de fazer filmes, na tentativa de compreender o que permeia seu olhar enquanto diretora de cinema.

 

Ceiça Ferreira, UEG – DIRETORAS, PRODUTORAS E CURADORAS NEGRAS NO CINEMA BRASILEIRO

RESUMO: A partir de três eventos realizados em 2017, a mostra Diretoras Negras no Cinema Brasileiro, o 1º Encontro Nacional Empoderadas: Mulheres Negras no Audiovisual e I Encontro de Cineastas e Produtoras Negras/1ª Mostra Competitiva de Cinema Negro Adélia Sampaio, este trabalho busca problematizar as assimetrias de gênero e raça ainda predominantes no cinema nacional, e também pensar a atuação de diretoras, produtoras e curadoras negras na construção de novas práticas e representações fílmicas. 

 

Inajara Diz Santos, UFBA – BREVES APONTAMENTOS SOBRE CINEMAS NEGROS BRASILEIROS E CINE AFROCOLOMBIANO

RESUMO: Este artigo realiza uma breve análise comparativa das trajetórias sociais nos Cinemas Negros brasileiro e Cine Afrocolombiano, buscando apontar semelhanças, diferenças e contribuições para refletir sobre o campo. O estudo se baseia no processo de observação de campo, entrevistas com agentes da cadeia cinematográfica de ambos os países.

CINEMA, ARTE E HISTÓRIA

15/08/2019

14:00 ÀS 16:00

Sala Aprendizado eletrônico – ECA

André Massanori Okuma, UNIFESP – IMAGENS DO (CONTRA) FLUXO DA CRACOLÂNCIA NO DOCUMENTÁRIO HOTEL LAIDE

RESUMO: A presente comunicação pretende refletir sobre as diversas imagens que emergem das relações entre o Estado, mídias de massa, produção artística, movimentos sociais e os interesses imobiliários na região da Luz no centro da cidade de São Paulo, onde se localiza a área pejorativamente conhecida como “Cracolândia”. E no emaranhado destas imagens disseminadas à exaustão sobre o território, perceber como o documentário Hotel Laide (Debora Diniz, 2017) retrata a partir da linguagem audiovisual este território de maneira peculiar e humanizada em detrimento dos estereótipos e estigmas sociais difundidos pelos meios de comunicação em geral. 

 

Elis Crokidakis, Ivana Grehs e Daniela Pastore – A RECONSTRUÇÃO CINEMATOGRÁFICA DAS MEMÓRIAS, DA FEMINILIDADE, DOS AFETOS E DO ESPAÇO NO DOCUMENTÁRIO TORRE DAS DONZELAS

RESUMO: O documentário Torre das Donzelas de Susanna Lira, remete ao período da mais recente ditadura militar do Brasil (1964 a 1985), fazendo uma espécie de experimento através da reconstrução física do espaço da Torre a partir de desenhos e narrativas das personagens reais que constituem essa história do país. Ali, então, podemos ver as relações que se desenvolvem entre as personagens, suas lembranças, afetos, a dor, o encarceramento, o papel feminino na luta e o contexto histórico que permeia a narrativa. Nesse trabalho coletivo seguiremos a metodologia do filme, nos apropriando da narrativa e dos aspectos espaciais ou não, que constituem a formação da subjetividade. Daremos ênfase às mulheres que viveram naquele espaço, à memória como elo entre espaço real e espaço cênico da película e ainda sua interferência na relação com a história. Nossas referências perpassam por Walter Benjamim, Zigmund Bauman, Andreas Huyssen, Gaston Bachelard, além de um quadro de referências artísticas.

 

Carla Lima Massolla A. da Cruz, UAM – GÊNERO FABULAR DAS ANIMAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS SOB NOVA PERSPECTIVA

RESUMO: A animação é classificada como um gênero cinematográfico, quando referida pelos recursos midiáticos utilizados na sua produção. Contudo, quando abordamos o aspecto comunicativo, a genericidade é apropriada segundo os aspectos da linguagem da narrativa, e requer a ocorrência de enunciados relativamente estáveis, formações linguísticas que se movimentam em direção a uma regularidade de especificidades. Neste trabalho temos por objetivo realizar a análise de animações que surgiram em um ambiente transmidiático e que embora contemplem narrativas com características do gênero fabular, também apresentam um vínculo histórico-social, no qual é possível evidenciar um humor que intercambia entre a crítica e a ironia. São produções cuja construção de sentidos é articulada sob uma nova perspectiva, sem referência de tempo, lugar e padrões definidos de valores, mas dentro de uma circunstância de harmonia social.

 

Marcella Greco de Araujo, USP – O MITÉRIO DO DOMINÓ PRETO: VERSÕES DE ARISTIDES RABELLO E CLEO DE VERBERENA

RESUMO: O Mistério do Dominó Preto (1931), de Cleo de Verberena é um filme brasileiro do período silencioso tido como perdido. Baseado no folhetim de mesmo nome escrito por Aristides Rabello, o que sabíamos sobre seu enredo tinha como base principalmente um resumo veiculado pouco antes de sua estreia na revista Cinearte. O recente achado do folhetim, publicado pela última vez na revista O Commentário em 1926, bem como o achado de suas outras duas versões, de 1912 e 1921, permite um maior entendimento de certas passagens cinematográficas descritas no resumo da Cinearte.

 

AUDIOVISUAL, ESTÉTICA E POLÍTICA

15/08/2019

14:00 – 16:00

SALA LUPE COTRIM – ECA

Marco Túlio Ulhôa, UFF – O RITUAL ANTROPOFÁGICO E AS RECONSTITUIÇÃO DAS GRAVURAS DE THEODORE DE BRY, EM COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS

RESUMO: O estudo analisa a reconstituição do ritual antropofágico, a partir das gravuras de Theodore De Bry, no filme Como era gostoso o meu francês (1971), de Nelson Pereira dos Santos. Baseado nos relatos de Hans Staden e de outros viajantes, como Jean de Léry e André Thevet, o longa se apropria dos elementos existentes nas ilustrações de De Bry, ao reconstituir o estilo de vida dos índios Tupinambás e o ritual antropofágico por eles praticado. Tomando as gravuras de De Bry como referências suscitadas pelas imagens do filme, o estudo observa como o ritual praticado pelos Tupinambás é recriado pela linguagem cinematográfica, ampliando o sentido das narrativas e das figuras em questão, uma vez que estas são baseadas em um modo específico de compreender as sociedades indígenas, caraterística do século XVI.

Pedro Gabriel Amaral Costa, USP – ENTRE MÁSCARAS, VOZES E SILÊNCIOS: LUGARES DE FALA E REPRESENTAÇÃO DE CONFLITOS RACIAIS NA VÍDEO-ARTE

RESUMO: Neste artigo busco avaliar a representação dos conflitos raciais na vídeo-arte contemporânea a partir do conceito de lugar de fala. Tomando conceito de lugar de fala como um marcador de tensões no interior de uma estrutura social que seleciona, hierarquiza e legitima quem pode e quem não pode falar a partir de marcadores raciais, étnicos e linguísticos. Isto é, quais vozes são ouvidas, respeitadas e disseminadas no interior das sociedades contemporâneas. Analisarei três obras de vídeo-arte de autores e autoras negros de três países diferentes – Alemanha, Angola e Peru - que questionam tais estruturas. A partir dessa análise esperamos poder distinguir algumas especificidades que esses autores trazem para o debate artístico, e para o debate racial, considerando o lugar de fala como uma chave para a compreensão dos sentidos desses trabalhos.

Edson Pereira da Costa Junior – A FIGURA HUMANA E A EXPERIÊNCIA DO TRABALHO EM ARÁBIA

RESUMO: A comunicação almeja refletir sobre os efeitos do trabalho para a figura humana, em Arábia (2017), de Affonso Uchoa e João Dumans. A fim de cumprir tal proposta, analisa-se dois dualismos do filme. O primeiro, entre matéria e corpo, apresentado pelo trabalho do protagonista na lavoura (terra), na construção civil (pedra) e na siderurgia (ferro/aço). O segundo referente à relação entre a experiência subjetiva e a realidade social.

 

Vinicius Andrade de Oliveira – NOTAS PARA ESTUDO DE DOCUMENTÁRIOS ENGAJADOS EM LUTAS URBANAS

RESUMO: Na busca por perceber como documentários engajados em lutas urbanas efetivam diferentes níveis de relação com a realidade histórica, somos levados a envolvê-los numa trama mais ampla de fenômenos que sugerem uma mútua afetação entre o trabalho de documentaristas e a atuação dos movimentos sociais. Acreditamos que, para falar das formas pelas quais imagens incidem sobre os processos de luta, é preciso falar dos modos como os processos de luta incidem nas imagens. Assim, filmes e imagens devem aparecer não apenas como textos, mas também como um conjunto de relações, gestos, iniciativas (BRENEZ, 2011). Em relação aos processos mais abrangentes que os envolvem, devemos encará-los, por sua vez, não apenas enquanto condições em relação aos quais imagens e filmes se tramam, mas, sobretudo, como um conjunto de experiências constituídas pelos sujeitos no decorrer dos processos de luta (SADER, 1988), a partir das quais se desenvolve uma "pragmática" de uso e circulação das imagens.

AUDIOVISUAL, ESTÉTICA E POLÍTICA

15/08/2019

16:00 às 18:20

 

Sala Lupe Cotrim – ECA

Felipe Abramovictz,  UAM – O TEXTO NA TELA E AS MENÇÕES ESCRITAS NO CINEMA DE CARÁTER DOCUMENTAL NO CONTEXTO DE DECRETAÇÃO DO AI-5 E NA REABERTURA

RESUMO: O artigo propõe um estudo de ordem comparativa sobre os diferentes usos do texto escrito na tela no cinema documental produzido em dois contextos distintos da realidade histórica brasileira: o período de decretação do AI-5 (1968) e o momento após sua revogação (entre o fim de 1978 e o início de 1979) quando ocorreu a retomada de algumas das liberdades individuais e o vislumbre da abertura política. Para tanto, relacionaremos como os diferentes projetos do cinema político fazem uso de menções escritas e quais procedimentos e estratégias são utilizados em torno da figuração da palavra, traçando paralelos com outras obras reverberaram nos projetos aqui destacados.

Marília Goulart, USP – NO INTENSO AGORA: A POLÍTICA BRASILEIRA RECENTE ATRAVÉS DO DOCUMENTÁRIO

RESUMO: Os acontecimentos políticos recentes promoveram uma profunda transformação política, econômica e social no Brasil. Composta por incontáveis eventos e complexas tramas que poderiam soar inverossímeis há alguns anos, essa transformação projeta sobre o tempo presente a difícil tarefa de compreender o passado. Nessa jornada, o audiovisual se apresenta não apenas como documento, registro histórico dos acontecimentos, mas como importante ferramenta para a construção de narrativas capazes de conferir sentidos aos incontáveis fragmentos que atingiram e alteraram a ordem anterior. A partir da análise de documentários que se lançaram sobre as tensões políticas da presente década, essa apresentação discutirá as diferentes estratégias estéticas e narrativas mobilizadas para conferir sentido às tensões recentes, tarefa essencial para vislumbrar horizontes futuros.

Eduardo de Souza Oliveira, UFSCar – DOCUMENTÁRIOS COMO LUGARES DE MEMÓRIA DO CRUSP

RESUMO: Este trabalho pretende analisar dois videodocumentários como lugares de memória do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP): A experiência cruspiana (Nilson Couto, 1986) e CRUSP: um recorte (Marcelo Gutierres e Dênia Cruz, 2005). Tendo em vista o imperativo contemporâneo em arquivar memória diante das ameaças de esquecimento pelo presente (NORA, 1993), há a preocupação dos realizadores pela preservação das memórias em torno do CRUSP através do documentário, que não somente evidenciam que o espaço somente se tornou moradia estudantil por causa das ocupações que ocorreram na década de 1960, mas que são usadas como força de produção de sentidos na atualidade. A incorporação das recordações por esses videodocumentários, em forma de testemunhos e materiais de arquivo, reflete um dever de memória, que se engaja politicamente no presente para fazer justiça ao passado. 

Alan Bernagozzi da Silva, UAM – AMBIENTE, EXTENSÃO E INTEGRALIDADE: A TECNOLOGIA COMO FORMA DE CONTROLE EM WHITE BEAR, SHUT UP AND DANCE E MEN AGAINST FIRE  DA SÉRIE BLACK MIRROR

RESUMO: O objetivo deste artigo é de analisar a tecnologia como forma de controle em três episódios da série Black Mirror, “White Bear” e a sociedade disciplinar de Michel Foucault, “Shut Up and Dance” com os meios de comunicação como extensões do homem de Marshall McLuhan e “Men Against Fire” e as perspectivas de Gilles Deleuze com sua sociedade de controle, onde se busca entender a construção social da série tendo em vista uma melhor compreensão dos mecanismos de controle apresentados e as diversas formas de manipulação individual e coletiva resultantes da relação do sujeito com a tecnologia.

Beatriz Lima Santos e Tetsuya Maruyama – O MOVIMENTO DE REENCARNAÇÃO DO FILME ANALÓGICO NA AMÉRICA LATINA

RESUMO: Este trabalho consiste no mapeamento e na análise de algumas iniciativas de retomada do fazer-filmes de modo analógico na América Latina. Nos últimos anos, vêm aparecendo artistas, coletivos e festivais dedicados ao trabalho com película – seja 35mm, 16mm, super 8 ou outros.
São propostas que abarcam a preservação por meio da prática. No contexto moderno de multitelas e transmídias, esses profissionais voltam a experimentar com a materialidade, agregando um olhar novo a uma prática antiga e por pouco preservada.
Partiremos de projetos recentes do Brasil, do México e da Argentina para propor uma análise comparativa – não entre os países, mas entre seus contextos específicos e suas linguagens cinematográficas.
Ou seja, dentro deste cenário de novas insurgências analógicas, qual a especificidade de cada iniciativa? O que cada contexto sócio-político-econômico-cultural transparece em termos de linguagem e materialização de propostas?

 

MATERIALIDADES DO CINEMA

15/08/2019

14:00 – 16:30

SALA: 208 Prédio Central da ECA

 

Vera Império Hamburger – DIREÇÃO DE ARTE: ENTRE REPRESENTAÇÃO E EXPERIÊNCIA

RESUMO: O objetivo deste trabalho é discutir o papel e abrangência da Direção de Arte na produção cinematográfica atual, articulando-se principalmente entre a teoria da experiência (DEWEY, 2010) e as definições apresentadas na obra A produção de presença, o que o sentido não consegue transmitir (Gumbrecht, 2010), entre outros. 

Priscila Gomes Freire, UES – A COMUNICAÇÃO VISUAL DA DIREÇÃO DE ARTE NO CINEMA NACIONAL: O CASO DE O HOMEM DO FUTURO

RESUMO: Este artigo objetiva as possibilidades de diálogo advindo da composição imagética da direção de arte, bem como sua relevância na contribuição à fartas comunicabilidades, no cinema nacional, a partir do uso central, comparativo e analítico do “O homem do futuro”, desdobrando o campo de investigação para outras obras nacionais. Possibilitando as disponibilidades entre objeto referencial cultural teórico às diferentes conceituações da linguagem visual, da arte, dentro da cinematografia brasileira, acerca da competência visual e formação de composições, entre períodos, estilos, cores e formas. Essa análise aborda haveres antropológicos, espelhados nas produções audiovisuais.  Figurinos, bem como cenografias, apresentado nas diversas composições da direção de arte, as possibilidades que se estabelecem quando justapostos, harmonicamente, exaltando um tema. 

Tainá Xavier, UNILA – DIREÇÃO DE ARTE EM ZAMA E JOAQUIM COMO MATERIALIZAÇÃO DE IDENTIDADES HÍBRIDAS LATINO-AMERICANAS

RESUMO: A presente proposta visa analisar as operações estéticas e narrativas envolvidas no processo de materialização mobilizado pela direção de arte na construção do espaço cênico e caracterização das personagens Zama (Daniel Giménez Cacho) e Joaquim (Julio Machado), nos filmes homônimos a esses personagens, lançados em 2017 e dirigidos por Lucrecia Martel e Marcelo Gomes, respectivamente. Por retratarem representantes das coroas Espanhola e Portuguesa nascidos na colônia os filmes apresentam jogos de construção indentitária de seus protagonistas no limite entre a afirmação da distinção do colonizador e suas próprias experiências materiais em território colonial, expressos através de sistemas significantes visuais operados pelos figurinos e caracterização de personagens, ambientação e objetos de cena.

 

Nívea Faria de Souza UNES/FACHA– A DIREÇÃO DE ARTE NA NARRATIVA CINEMATOGRÁFICA : A CIDADE COMO PERSONAGEM EM PRAÇA PARIS

RESUMO: Este trabalho investiga como a direção de arte do filme de Lúcia Murat, Praça Paris (2016), integra a narrativa do primeiro thriller da realizadora. A obra tem a cidade do Rio de Janeiro como cenário e a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) como um importante espaço de encontro, conflito e mise en scène. O filme conta a história do encontro de uma brasileira e uma portuguesa, rememorando momentos históricos (colonizador e colonizado), figurino, espaços, cores e texturas revelam gradativamente o papel de cada uma na obra. Entre a Zona Norte e a Zona Sul da cidade, o espaço urbano vai revelando e enfatizando conflitos sociais e pessoais. O filme mostra a todo o momento que o espaço comunica e seus elementos instauram atmosferas, signos advindos da direção de arte revelam o universo de cada personagem, construindo seus perfis. No filme, fica claro que o ambiente geográfico não é somente paisagem de fundo, o espaço urbano é agente ativo e se torna personagem.

Elizabeth Motta Jacob, UFRJ – EM NOTAS DISSONANTES SE CONSTRÓI UMA NAÇÃO: A DIREÇÃO DE ARTE E A CONSTRUÇÃO DE UM IMAGINÁRIO BRASILEIRO

RESUMO: Neste estudo analisaremos o processo de construção de uma imagem cinematográfica brasileira, distanciada dos padrões ditados pelo cinema hegemônico, através da direção de arte realizada por Luiz Carlos Ripper em dois filmes localizados no Brasil Colonial. Entendemos que, por meio de alegorias utópicas, a direção de arte dos filmes Pindorama (1970) de Arnaldo Jabor e Quilombo (1984), de Cacá Diegues cria um imaginário a respeito da nação brasileira estabelecendo uma leitura metafórica da mesma. Em momento de forte repressão política os filmes recorrem ao passado traçando críticas as permanências, no período de realização dos filmes, da organização excludente da sociedade de outrora. Os filmes em questão destacam os padrões de convivência apresentados como oriundos da cultura negra e mestiça, valorizados estética e politicamente, como ponto de partida para a construção de uma sociedade democrática racial e socialmente.

 

HISTÓRIA, CINEMA E MEMÓRIA

15/08/2019

16:00 – 18:00

Auditório Profa. Maria Amélia Mattos – Biblioteca – Psicologia

“Épocas de ouro no Cinema Latino-americano”

Luis Stéfano Murillo Reyes, UFSCar – UNA PEQUEÑA ÉPOCA DE ORO DEL CINE ECUATORIANO

RESUMO: Durante la década de 1920 la producción cinematográfica en el Ecuador tuvo un gran aumento. La inversión extranjera en el país creció gracias a las reformas económicas, lo que estimulo la producción cinematográfica realizada por empresas privadas y enfocada en la propaganda gubernamental. En este escenario se formaron algunas de las productoras que impulsaron la producción en este período, que quedaría conocido como pequeña época de oro.

 

Vitor Ferreira Pedrassi, UFSCar – SONO FILMS E AS PRODUTORAS CINEMATOGRÁFICAS ARGENTINAS.

RESUMO: A Sonofilms, uma das principais produtoras do cenário brasileiro na década de 1930 e 1940, torna-se conhecida graças ao seu modo de produção que a diferenciava de suas contemporâneas nacionais, a Cinédia e a Brasil Vita Filme, em que buscava uma produção em larga escala com o mínimo de investimento possível. A empresa possuía um esquema próprio de distribuição e um sistema de lançamentos constituído por um filme-revista no carnaval e adaptações teatrais no meio do ano, sempre voltados especificamente para o mercado. A presente comunicação tem por objetivo investigar se a produtora teria se assemelhado a alguma outra empresa latino-americana da época, focando a sua análise nas produtoras argentinas.

Andrea Helena Puydinger De Fazio - O PADRE ANCIÃO QUE ROMPEU BARREIRAS: REPRESENTAÇÕES DE MIGUEL HIDALGO NO FILME RIO ESCONDIDO (1947, DIR. EMÍLIO FERNÁNDEZ)

RESUMO: Temos como objetivo, nesta apresentação, analisar a construção de uma “narrativa de nação” da história mexicana no filme Rio Escondido (Rio Escondido, Emílio Fernández, 1947), mais especificamente na recuperação e ressignificação da imagem de Miguel Hidalgo e do processo de Independência do México. Em Rio Escondido, é notável o uso de uma linguagem fortemente nacionalista, de símbolos pátrios e representações históricas, por meio de elementos cinematográficos e imagens que vem sendo construídas desde o século XIX, e que passaram a compor um “arquivo visual” da nação mexicana ao longo do tempo, conforme a expressão de Zuzana Pick. Pautaremos nossa análise nas discussões acerca do conceito de identidade nacional, utilizando autores como Benedict Anderson e Stuart Hall – para o qual as acima mencionadas “narrativas de nação” compõe estratégias discursivas para a construção de identidades. Partimos da hipótese de que Rio Escondido, bem como parte do cinema do período de sua produção – o qual a historiografia denominou Era de Ouro do cinema mexicano – dialogava fortemente com os projetos políticos vigentes naquele contexto, possuindo abordagem explicitamente patriótica.

 

CINEMA, ARTE E GÊNERO

15/08/2019

16:00 – 18:00

Sala Paulo Emílio ECA

Laís de Lorenço Teixeira, UNICAMP – O DOCUMENTÁRIO QUE OBSERVA E TROCA COM O ANTECAMPO

RESUMO: Trabalhando a partir de técnicas observacionais, entrevistas e depoimentos, os curta-metragens Retrato de Carmem D., de Isabel Joffily (2015, Brasil) e La Internacional, de Tatiana Mazú (2015, Argentina) articulam uma relação afetiva entre realizadora e objeto, mediada pela câmera, e não pela presença em corpo da realizadora. Ao passo que as personagens em tela invocam o antecampo (onde estão as realizadoras que tem relação extra fílmica com seus objetos), impera-se pensar como se dão as trocas com o antecampo, de suas diversas formas, e como são colocados e articulados os afetos que partem disto nos filmes.  Pensamos assim, majoritariamente através do espaço doméstico e da casa, como estes elementos se colocam como arena de construção e, também, reflexo destas relações.

 

Hanna Henck Dias Esperança – REPRESENTAÇÕES SUBJETIVAS EM RETRATOS DE HIDEKO, HIA SÁ SÁ – HAI YAH E MENINAS DE UM OUTRO TEMPO

RESUMO: Entre 1980-1989 as mulheres ocuparam mais de 30% da direção de documentários de curta e média-metragem no Brasil. Mesmo com a grande quantidade de produções, podemos notar uma filmografia que é, em sua maioria, preocupada com as questões sociais, prevalecendo uma abordagem que recai na diferença entre as cineastas e o outro. Retratos de Hideko (1981), Hia Sá Sá – Hai Yah (1985), de Olga Futemma e Meninas de um outro tempo (1986), de Maria Inês Villares, entretanto, tomam um caminho diferente ao utilizarem de representações subjetivas para tratarem de seus temas. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar de que forma as experiências pessoais das diretoras são incorporadas nos seus respectivos filmes.

Nayla Tavares Guerra, USP – CURTAS-METRAGENS FEITOS POR DIRETORAS BRASILEIRAS DE 1966 A 1985: FILMES E EQUIPES TÉCNICAS

RESUMO: Este trabalho busca compreender o cenário relativo à realização de curtas-metragens por diretoras brasileiras no período da ditadura civil-militar e da Segunda Onda Feminista. A partir de um levantamento dos filmes feitos e de suas equipes técnicas, traça-se o perfil dessas produções bem como as características do acesso de mulheres ao fazer cinematográfico.

 

      

ARTE E CINEMA EXPERIMENTAL NA AMÉRICA LATINA

15/08/2019

16:00 – 18:00

SALA – AUDITÓRIO A CTR/ECA

Emilia de O. Santos, UNICAMP – JMB NA TRANSA DAS IMAGENS

RESUMO: Friccionando as fronteiras entre linguagens artísticas, Jomard Muniz de Britto realiza filmes superoitistas que em sua forma e conteúdo contribuem para reflexões sobre novas escritas do corpo e da cultura, durante os anos 70 em Pernambuco. A partir da análise do curta-metragem Vivencial I (1974) o artigo visa compreender como se agenciam as rupturas estéticas impressas em sua mise-en-scène, e como sua filmografia possibilitaria novos caminhos, a partir do exercício da montagem, sobre novas escritas da sexualidade no cinema nacional, contrapondo-se aos discurso oficiais.

Tálisson Melo de Souza, UFRJ – E QUANDO UTOPIAS ENCONTRAM LUGAR? WALTER ZANINI E AS INSERÇÕES INSTITUCIONAIS DA VIDEOARTE

RESUMO: Análise histórico-sociológica de atividades envolvendo experimentações artísticas, exibição e reflexão sobre/com tecnologias do filme e do vídeo desenvolvidas no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo nos anos de 1970, coordenadas por seu diretor, o professor, crítico e historiador de arte Walter Zanini e colaboradores. Partindo dos modos de apresentação da produção em vídeo arte na 17ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1983, busco compreender o processo de inserção do vídeo em manifestações públicas independentes e em instituições, bem como o processo de sua institucionalização que acarretava em flexibilizar fronteiras físicas e simbólicas. Foco sobre a trajetória de Zanini como agente intermediário nesse processo, fomentando a conversão de agentes produtores (artistas e arquitetos), outros mediadores (com destaque para Júlio Plaza), e um público para essas experiências estéticas emergentes.

 

Juliana Martinatti Penna – UM DIA NA VIDA: MATERIAL GRAVADO COMO FILME PARA PESQUISAS FUTURAS

RESUMO: A pesquisa tem como objeto o filme Um Dia na Vida, de Eduardo Coutinho (1933-2014). O filme é uma colagem de trechos de comerciais e programas de televisão aberta, gravados pelo cineasta em um único dia (1 de outubro de 2009), e editados de forma a apresentar um resumo da produção de sentidos recebida pelo telespectador brasileiro. A proposta é situar a obra dentro da filmografia do documentarista Eduardo Coutinho em contraponto a seu método usual de produção e filmagem, assim como identifica-la como uma narrativa crítica ao conteúdo produzido para televisão aberta no Brasil. Além disso, a sobreposição dos recortes da programação televisiva, marcada pela transição intensa e rápida de um tipo de conteúdo a outro, ao ser exibida em um cinema, ambiente designado às produções cinematográficas, torna o filme uma demonstração empírica e tátil das diferenças profundas de formatação entre TV e cinema, que persistem até hoje, mesmo em um contexto de hibridização entre cinema e televisão.

 

AUDIOVISUAL, ESTÉTICA E POLÍTICA

15/08/2019

16:00 às 18:20

 

Sala Lupe Cotrim – ECA

Felipe Abramovictz,  UAM – O TEXTO NA TELA E AS MENÇÕES ESCRITAS NO CINEMA DE CARÁTER DOCUMENTAL NO CONTEXTO DE DECRETAÇÃO DO AI-5 E NA REABERTURA

RESUMO: O artigo propõe um estudo de ordem comparativa sobre os diferentes usos do texto escrito na tela no cinema documental produzido em dois contextos distintos da realidade histórica brasileira: o período de decretação do AI-5 (1968) e o momento após sua revogação (entre o fim de 1978 e o início de 1979) quando ocorreu a retomada de algumas das liberdades individuais e o vislumbre da abertura política. Para tanto, relacionaremos como os diferentes projetos do cinema político fazem uso de menções escritas e quais procedimentos e estratégias são utilizados em torno da figuração da palavra, traçando paralelos com outras obras reverberaram nos projetos aqui destacados.

Marília Goulart, USP – NO INTENSO AGORA: A POLÍTICA BRASILEIRA RECENTE ATRAVÉS DO DOCUMENTÁRIO

RESUMO: Os acontecimentos políticos recentes promoveram uma profunda transformação política, econômica e social no Brasil. Composta por incontáveis eventos e complexas tramas que poderiam soar inverossímeis há alguns anos, essa transformação projeta sobre o tempo presente a difícil tarefa de compreender o passado. Nessa jornada, o audiovisual se apresenta não apenas como documento, registro histórico dos acontecimentos, mas como importante ferramenta para a construção de narrativas capazes de conferir sentidos aos incontáveis fragmentos que atingiram e alteraram a ordem anterior. A partir da análise de documentários que se lançaram sobre as tensões políticas da presente década, essa apresentação discutirá as diferentes estratégias estéticas e narrativas mobilizadas para conferir sentido às tensões recentes, tarefa essencial para vislumbrar horizontes futuros.

Eduardo de Souza Oliveira, UFSCar – DOCUMENTÁRIOS COMO LUGARES DE MEMÓRIA DO CRUSP

RESUMO: Este trabalho pretende analisar dois videodocumentários como lugares de memória do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP): A experiência cruspiana (Nilson Couto, 1986) e CRUSP: um recorte (Marcelo Gutierres e Dênia Cruz, 2005). Tendo em vista o imperativo contemporâneo em arquivar memória diante das ameaças de esquecimento pelo presente (NORA, 1993), há a preocupação dos realizadores pela preservação das memórias em torno do CRUSP através do documentário, que não somente evidenciam que o espaço somente se tornou moradia estudantil por causa das ocupações que ocorreram na década de 1960, mas que são usadas como força de produção de sentidos na atualidade. A incorporação das recordações por esses videodocumentários, em forma de testemunhos e materiais de arquivo, reflete um dever de memória, que se engaja politicamente no presente para fazer justiça ao passado. ​

Beatriz Lima Santos e Tetsuya Maruyama – O MOVIMENTO DE REENCARNAÇÃO DO FILME ANALÓGICO NA AMÉRICA LATINA

RESUMO: Este trabalho consiste no mapeamento e na análise de algumas iniciativas de retomada do fazer-filmes de modo analógico na América Latina. Nos últimos anos, vêm aparecendo artistas, coletivos e festivais dedicados ao trabalho com película – seja 35mm, 16mm, super 8 ou outros.
São propostas que abarcam a preservação por meio da prática. No contexto moderno de multitelas e transmídias, esses profissionais voltam a experimentar com a materialidade, agregando um olhar novo a uma prática antiga e por pouco preservada.
Partiremos de projetos recentes do Brasil, do México e da Argentina para propor uma análise comparativa – não entre os países, mas entre seus contextos específicos e suas linguagens cinematográficas.
Ou seja, dentro deste cenário de novas insurgências analógicas, qual a especificidade de cada iniciativa? O que cada contexto sócio-político-econômico-cultural transparece em termos de linguagem e materialização de propostas?

CINEMA NEGRO LATINO-AMERICANO

CINEMA, ARTE, LÍNGUA E LITERATURA

ABERTURA RADICAL E ENGAJAMENTO DO PÚBLICO NOS PROCESSOS    DECISÓRIOS

15/08/2019

16:00 – 18:00

Sala: 205, PRÉDIO CENTRAL/ECA    

Cinema, arte, língua e literatura

Luís Fernando Beloto Cabral, UNIFESP – DOENÇA DA HISTÓRIA: O MAL DE ARQUIVO EM CORPO E ALGUMA COISA URGENTEMENTE

RESUMO: O texto propõe uma comparação entre o conto Alguma coisa urgentemente, de João Gilberto Noll, publicado em 1980, e o filme longa-metragem Corpo, de Rossana Foglia e Rubens Rewald, lançado em 2007. Tendo como base o conceito de doença da história, como desenvolvido por Jacques Derrida, a análise refletirá a maneira com que cinema e literatura trabalham a questão da memória do regime militar brasileiro e do mal de arquivo sofrido pela população brasileira.

 

Maria Neli Costa Neves, UNICAMP – IDENTIDADE DE RESISTÊNCIA NO CINEMA DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS: O CASO DE TENDA DOS MILAGRES

RESUMO: Em vários dos filmes de Nelson Pereira dos Santos, há ênfase em temas como etnicidade e mestiçagem e o protagonismo do negro. A partir do cinema desse diretor, tendo como objeto de estudo a fita Tenda dos Milagres (1977), baseada no livro homônimo de Jorge Amado, este trabalho propõe uma refexão sobre  disputas identitárias, religiosidade afro-brasileira e as estratégias dos afrodescendentes na luta contra a desumanização. Para isso, utilizaremos o conceito de “identidade de resistência” (CASTELLS, 1999, p. 24) e o embasamento teórico de Sodré, Castells, Nascimento e Schwarcz.

 

Abertura radical e engajamento do público nos processos decisórios

Diogo de Moraes Silva, SESC – LER OS PÚBLICOS E SEUS “ATOS DE RECEPÇÃO” EM ARTES VISUAIS

RESUMO: Esta comunicação se inscreve no âmbito dos estudos de público, elegendo as artes visuais como terreno de investigação e intervenção. Com foco na performatividade dos públicos, sua relação com o campo artístico se dá pelo viés da mediação cultural, a partir de abordagem interdisciplinar. Nesse sentido, dialoga com a história e crítica da arte, sociologia da cultura, filosofia política e educação em arte, cotejando contribuições daí provenientes com situações protagonizadas pelos públicos das práticas em artes visuais. Ao tecer esses cruzamentos, a comunicação aponta para critérios e ferramentas voltados à leitura e à compreensão dos “atos de recepção” dos públicos, em atenção às suas singularidades e às problemáticas que trazem à tona. Para isso, problematiza as narrativas historiográficas predominantes e suas respectivas categorias acerca da inclusão do espectador no escopo dos trabalhos de arte, seja como participante, interator ou colaborador. Em lugar de apenas reiterar identificações representativas das premissas dos artistas, aposta-se no discernimento e nomeação de posições em função das formas emergentes de recepção e respostas dos públicos aos trabalhos de arte. 

 

Vera Império Hamburger, USP – ESPAÇO E PERFORMATIVIDADE: LABORATÓRIO FRONTEIRAS PERMEÁVEIS

RESUMO: O objetivo deste texto é discutir o espaço da cena como linguagem capaz de elaborar narrativas próprias na construção, além de associar-se a outras formas de expressão. Se a Cenografia foi tradicionalmente vista como mero elemento de apoio à dramaturgia ou à ação do ator, seja no teatro ou cinema, temos hoje novos paradigmas de atuação para a construção do lugar da cena. Pretendemos, através da análise sobre o Laboratório Fronteiras Permeáveis, principal objeto da investigação em andamento, trazer a debate a capacidade de a cenografia atuar de forma autônoma como elemento central de ações performáticas. Nossa proposta de escrita é entrelaçar a pesquisa que vimos desenvolvendo, ao debate que reúne cenógrafos no principal fórum mundial sobre cenografia, a Quadrienal de Praga, da qual o projeto partipou em 2011,  e na publicação Scenography Expanded: Na Introduction to Contemporary Performance Design , além de discussões em andamento no meio da “Teoria da Performance” apresentadas pelo artista e professor da Concordia University Research de Montreal, Chris Salter.

 

CINEMA, ARTE E HISTÓRIA

15/08/2019

16:00 – 18:00

 

SALA: Aprendizado eletrônico – ECA

Danielle Crepaldi Carvalho, USP – PONDERAÇÕES SOBRE O USO DA MÚSICA ITALIANA NOS CINEMAS CARIOCAS (91905-1915)

RESUMO: Esta comunicação procurará pensar no papel da música italiana nos cinemas cariocas entre 1905 e 1915. Apresentará, em linhas gerais, qual produção servia de acompanhamento aos filmes exibidos na então capital federal, considerando os papéis que tal repertório desempenhava no interior da melômana sociedade carioca. O levantamento tomará como contraponto a reflexão sobre duas partituras originais, compostas na Itália em 1905 e em 1915, marcos no que toca à exibição cinematográfica no Rio: a primeira, composta por Romolo Bacchini para O feitiço de ouro (Gaston Velle, 1905), exibido no “Teatro Maison Moderne” em 1906, e a segunda, composta por Manlio Mazza para o célebre Cabíria (Giovanni Pastrone, 1914), exibido nos cinemas Odeon e Pathé em 1915. 

 

Lívia Maria Gonçalves Cabrera, UFF – UM FILME HISTÓRICO, TÉCNICO, CIENTÍFICO: AS CONTRIBUIÇÕES DE ROQUETTE-PINTO, WASTH RODRIGUES E EDGAR BRASIL EM INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1984)

RESUMO: A proposta de comunicação partirá da busca da produtora Carmen Santos por nomes no meio intelectual, técnico e artístico brasileiro dos anos 1940 que pudessem colaborar com a realização do filme Inconfidência Mineira (1948) trazendo para a obra a credibilidade técnica e científica que ela defendia para o filme, com a finalidade de transformá-lo num marco para a cinematografia brasileira. A análise refletirá a relação da obra com três nomes importantes na construção dessa obra: o antropólogo e medico Egdar Roquette Pinto, o historiador e ilustrador José Wash Rodrigues e o fotógrafo Edgar Brasil. De que forma eles foram inseridos na produção de um filme pensando para ser referência no gênero histórico, que pudesse atender a uma demanda social e governamental por um cinema educativo, um veículo divulgador de ideias.

 

Paula Broda, UNIFESP – LATINO-AMERICANOS ANIMADOS: SOCIEDADE E EDUCAÇÃO NOS DESENHOS DE WALT DISNEY E NELSON ROCKEFELLER

RESUMO: Nos períodos anteriores à II Guerra Mundial, houve uma mudança de postura por parte do governo dos Estados Unidos para com os países latino-americanos, procurando intervir nesses locais menos de forma militar e optando mais pela diplomacia. Uma das maneiras de realizar suas ações, especialmente durante o conflito, foi o uso do cinema para dirigir sua propaganda à América Latina. É neste contexto que Walt Disney tem importante atuação política, produzindo animações que tinham como meta construir uma identificação entre estadunidenses e latino-americanos. Dentre tais desenhos, destacamos a série Health for the Americas, lançada entre 1944 e 1945 pelos Estúdios Walt Disney sob supervisão do Office of Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA), chefiado por Nelson Rockefeller naquele período. Além de seu objetivo educativo – sanar problemas de saúde como epidemias e desnutrição através da eliminação de agentes transmissores de doenças e ensino de simples hábitos higiênicos ou rotinas alimentares –, os curtas-metragens apresentavam propostas de modernização para o atraso latino-americano, ainda que sempre pautado por ideais estadunidenses.

PALESTRA

15/08/2019

18:30 – 21:00

SALA LUPE COTRIM

Prof. Dr. Arthur Autran (USFCar)

Palestra: Jean-Claude Bernardet: Documentarista e Historiador

Profa. Dra. Andrea Cuarterolo

Palestra: La realidade como espectáculo. El temprano cine de actualidades latinoamericano y sus relaciones con la cultura impresa de princípios del siglo XX

Prof. Dr. Luís Rocha Melo (UFJF)

Palestra: Cinema, Coca Cola e vatapá: de volta para o (eterno) futuro?

Prof. Dr. Reinaldo Cardenutto (UFF)

Palestra: O estado de desorientação no filme Arábia: o imaginário da revolução à beira da vida e da morte.

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